Médica e mãe passam a trabalhar juntas em maternidade no Recife

A obstetra Patrícia Lima passou a atender na Policlínica e Maternidade Professor Arnaldo Marques, no Recife, onde sua mãe, Edilene, trabalha há 23 anos como auxiliar de serviços gerais. Segundo Patrícia, a escolha da unidade tornou a conquista especialmente simbólica.

Formada pela Universidade de Pernambuco (UPE), Patrícia tomou posse como servidora da Secretaria de Saúde do Recife em 27 de outubro de 2026. Ela contou que foi a primeira pessoa da família a chegar ao ensino superior.

A maternidade fica no bairro do Ibura, na Zona Sul da capital pernambucana. Em 29 de outubro, dois dias depois da posse, mãe e filha dividiram o primeiro expediente na unidade.

A história reúne a trajetória profissional de Patrícia, o incentivo de Edilene aos estudos das filhas e a relação da médica com o Sistema Único de Saúde (SUS). Patrícia também relatou como a infância ligada à maternidade e o convívio com mulheres da família influenciaram sua escolha pela ginecologia e obstetrícia.

A escolha da maternidade e o primeiro expediente juntas

A trajetória em que médica e mãe trabalham juntas no Recife começou a se concretizar quando Patrícia recebeu a ligação para escolher a lotação após a aprovação no concurso de 2024. Ao saber que havia uma vaga na maternidade onde Edilene trabalhava, a obstetra decidiu assumir o posto naquela unidade.

Patrícia explicou que a escolha tinha um significado familiar: a mãe construiu ali parte do caminho que permitiu às filhas perseguirem seus objetivos. Antes de ingressar na maternidade, Edilene fazia serviços de faxina; o emprego na unidade trouxe mais estabilidade para a família.

No primeiro expediente compartilhado, colegas que conheciam a trajetória de Patrícia desde a infância se aproximaram das duas, emocionados. A médica relatou que ela e a mãe passaram pelo hospital de mãos dadas, enquanto Edilene levou um almoço para a filha.

O incentivo de Edilene e a trajetória de Patrícia até a medicina

Embora tenha estudado até a sexta série, equivalente hoje ao 7º ano do Ensino Fundamental, Edilene incentivava as filhas a seguir os próprios sonhos. Patrícia contou que a mãe não exigia que elas trabalhassem para ajudar nas despesas e, com a estabilidade proporcionada pelo emprego na maternidade, as duas puderam se dedicar aos estudos.



O desejo de ser médica apareceu ainda na infância, embora Patrícia não saiba explicar exatamente de onde veio a vontade. Ela recordou que dizia à mãe que trabalharia em hospitais e que, ao passar em frente à maternidade Professor Arnaldo Marques, afirmava que um dia trabalharia ali.

A ligação com a unidade também vinha dos atendimentos que Patrícia recebeu quando criança: ela foi ao local para consultas com dentista e pediatra e para tomar vacinas. Profissionais da maternidade acompanharam sua trajetória, desde as falas sobre cursar medicina até a formatura.

Para custear a formatura, Patrícia chegou a vender canetas, e pessoas ligadas à unidade também contribuíram financeiramente. Segundo ela, colegas que hoje trabalham com a família já acompanhavam esse percurso havia anos.

A escolha pela obstetrícia e a atuação no SUS

A presença de mulheres na criação de Patrícia influenciou sua decisão de seguir ginecologia e obstetrícia. Além da mãe, ela foi criada por uma tia que considerava uma segunda mãe, durante um período em que Edilene não pôde cuidar das filhas; Patrícia associou a escolha profissional ao desejo de retribuir o cuidado recebido.

Além do trabalho na rede pública, a obstetra é sócia, com outras duas mulheres, de uma empresa voltada à assistência de mulheres e gestantes. Ainda assim, a maior parte de sua atuação profissional é no Sistema Único de Saúde (SUS).

Patrícia disse que considera a formação recebida pelo SUS uma razão para atender na rede pública e retribuir aos pacientes. A médica se formou na Universidade de Pernambuco e afirmou que seus vínculos profissionais, em sua maioria, são ligados ao sistema.

O concurso público também se relacionou, segundo Patrícia, à busca por garantias de direitos trabalhistas como mulher em idade reprodutiva. Ela explicou que essa foi uma das razões para escolher o vínculo público, além de sua trajetória de formação e trabalho no SUS.



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