O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou, em 23 de setembro de 2026, o tombamento do Conjunto Histórico e Arquitetônico da Estação Central do Recife. A decisão foi tomada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.
Inaugurada em 1888, a estação foi construída para integrar a Estrada de Ferro Central de Pernambuco. A ferrovia transportava passageiros e levava produtos do agreste pernambucano ao porto do Recife.
Localizado no Recife, o imóvel abriga atualmente a Estação Central Capiba – Museu do Trem. A construção já tinha tombamento estadual e municipal antes da aprovação pelo Iphan.

O Iphan descreve a estação como exemplar da arquitetura do ferro e destaca seu vínculo com a história ferroviária e o cotidiano recifense. O conjunto será inscrito nos Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes.
Aprovação do tombamento amplia a proteção da estação
Com a decisão do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, o conjunto será inscrito no Livro do Tombo Histórico e no Livro de Belas Artes. As inscrições ampliam a proteção federal sobre o imóvel, que já estava incluído em instrumentos voltados ao patrimônio ferroviário.
Segundo o Iphan, a Estação Central do Recife já constava das Portarias nº 407/2010 e nº 17/2022, que estabelecem parâmetros de valoração e procedimentos para inscrição na Lista do Patrimônio Cultural Ferroviário. O tombamento federal é apresentado pelo órgão como uma etapa complementar, destinada a resguardar a memória e a arquitetura do conjunto.
A relatora Natália Araújo afirmou que o bem continua em uso e que sua preservação demonstra a atuação conjunta da União, do Estado e do Município. Ela também defendeu uma abordagem integrada, que considere os prédios, os documentos e o uso cotidiano do espaço.
Da ferrovia ao Museu do Trem: história e acervo da estação
O projeto do arquiteto Herculano Ramos teve como referência a Gare de l’Est, uma das seis principais estações ferroviárias de Paris. A linha atendia ao transporte de algodão, gado e couro do agreste pernambucano em direção ao porto do Recife.
Com a desativação de várias ferrovias no fim da década de 1960, a Estrada de Ferro Central de Pernambuco também deixou de operar. Em 1972, Emerson Jatobá, então chefe da 3ª Divisão Nordeste da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), e o sociólogo Gilberto Freyre criaram o Museu do Trem para preservar a história ferroviária do estado.
O espaço abriga o primeiro museu ferroviário do Brasil e o segundo da América Latina, com mais de 600 peças ligadas à história do transporte sobre trilhos. O acervo inclui máquinas a vapor, locomotivas, carroças, fotografias, cartazes, bilheterias, relógios e apitos.
Entre 1985 e a primeira década dos anos 2000, o edifício também serviu como acesso à Estação Recife do metrô. Após fechar para reformas em 2022, o Museu do Trem reabriu em julho de 2026 com a exposição Entre Trilhos e Memórias: Os Destinos do Patrimônio Ferroviário de Pernambuco; a visitação gratuita ocorre de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 10h às 14h.


